Existe um tipo de guerra extremamente sofisticada que não usa armas e nem mesmo quaisquer técnicas convencionais. Parte-se do pressuposto de que nenhum país é auto-suficiente em tudo que consome. Assim, todos os países fazem, em alguma proporção, comércio com outros países. Se por algum motivo os produtos que o país-alvo importa tornarem-se escassos, e não houver outras alternativas comerciais e nem condições para produzir-se internamente, mesmo a um custo maior e em caráter emergencial, então se estabelece a primeira vitória da guerra econômica.
O país-alvo pouco a pouco passa a ter problemas de abastecimento, a população começa a revoltar-se com a "má administração" do governo central, a mídia local pode amplificar a demanda pelos produtos cujo abastecimento está comprometido e, finalmente, cria-se um ambiente de instabilidade interna.
O próximo passo é o país-atacante, possivelmente alguma potência hegemônica, forçar ou persuadir o país-alvo a pedir ajuda, no que prontamente será atendido. Algumas condições são impostas, cria-se um alinhamento que antes não havia entre os 2 países envolvidos e, finalmente, o objetivo é atingido: o país-alvo que antes não estava alinhado com os interesses da potência hegemônica busca socorro e, para isso, assume certos compromissos dos quais, possivelmente, jamais se livrará.
Do ponto de vista do país-atacante, o preço para socorrer o novo país-súdito é permitir que as relações comerciais com os antigos parceiros sejam, em alguma instância, retomadas, além de viabilizar recursos financeiros!
É neste último aspecto que está o verdadeiro "pulo do gato". Além dos compromissos comerciais que eventualmente tenham sido assumidos, o país-atacante inunda sua vítima com dinheiro que sofre a incidência de juros. Como este país geralmente não está numa posição no cenário global de prosperidade econômica, dificilmente conseguirá alavancar sua economia a ponto de pagar os juros e o principal da dívida recém-adquirida.
Desta forma, organismos internacionais, cujo controle costuma pertencer a países alinhados ou ao próprio país-atacante, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, estipulam regras que vão desde políticas econômicas que o país-devedor deverá cumprir, até mudanças no sistema educacional do mesmo.
Finalmente, atinge-se o mais cínico de todos os objetivos: além de ter-se um país alinhado com os interesses da potência hegemônica, cria-se todo um ambiente no qual este país terá grandes dificuldades para conseguir emancipar-se econômica, cultural e politicamente. Some-se a tudo isso democracias de fachada (como a do Brasil), sistemas educacionais sucateados e meios de comunicação servis e alinhados aos mesmos interesses que controlam a potência hegemônica (geralmente o Mercado), e temos o triste diagnóstico de que a escravidão não foi abolida. Ela apenas adquiriu formas mais sofisticadas e de difícil percepção.
Com isso, não é mais necessário escravizar-se pessoas como fazia-se no passado. Ao invés disso, escraviza-se os ambientes culturais, educacionais, políticos e econômicos nos quais milhões de pessoas ao redor do mundo vivem e, por tabela, consegue-se escravizar as pessoas que vivem nestes ambientes.
Diante disso, nunca é demais lembrarmos das palavras de Mahatma Gandhi: "Assim como a árvore está na semente, os fins estão nos meios. Se cuidamos dos meios, o fim cuidará de si mesmo. Sempre temos controle sobre os meios, nunca sobre os fins".
A moral da história é que a submissão da maior parte da humanidade a condições desumanas de miséria, pobreza e necessidades, não é justificável por argumentos como meritocracia ou Darwinismo social. Não é verdade a afirmação de que "ninguém ganha algo com isso". Há uma parcela privilegiada da humanidade que se beneficia com o fluxo atual de transporte de riquezas, aquele que podemos chamar de Dooh Nibor, ou Robin Hood às avessas.
O que deve ser levado em conta é que ao sairmos da selva e nos tornarmos civilizados (pelo menos em teoria), a relação social que pode garantir a sustentabilidade da nossa espécie e, ainda mais, do nosso planeta, é a de cooperação. A competição talvez fosse adequada quando a Terra era um ambiente hostil e inóspito. Com o desenvolvimento científico e tecnológico atual, este certamente não é mais o caso e, portanto, não há nada que justifique guerras econômicas onde seres humanos são submetidos, como escravos, a outros seres humanos.
O problema é que o Capitalismo atual orienta-se pelas leis do neoliberalismo e, com isso, ao invés de construirmos um ambiente cooperativo, criamos um sistema onde, literalmente, "o homem é o lobo do homem".
O país-alvo pouco a pouco passa a ter problemas de abastecimento, a população começa a revoltar-se com a "má administração" do governo central, a mídia local pode amplificar a demanda pelos produtos cujo abastecimento está comprometido e, finalmente, cria-se um ambiente de instabilidade interna.
O próximo passo é o país-atacante, possivelmente alguma potência hegemônica, forçar ou persuadir o país-alvo a pedir ajuda, no que prontamente será atendido. Algumas condições são impostas, cria-se um alinhamento que antes não havia entre os 2 países envolvidos e, finalmente, o objetivo é atingido: o país-alvo que antes não estava alinhado com os interesses da potência hegemônica busca socorro e, para isso, assume certos compromissos dos quais, possivelmente, jamais se livrará.
Do ponto de vista do país-atacante, o preço para socorrer o novo país-súdito é permitir que as relações comerciais com os antigos parceiros sejam, em alguma instância, retomadas, além de viabilizar recursos financeiros!
É neste último aspecto que está o verdadeiro "pulo do gato". Além dos compromissos comerciais que eventualmente tenham sido assumidos, o país-atacante inunda sua vítima com dinheiro que sofre a incidência de juros. Como este país geralmente não está numa posição no cenário global de prosperidade econômica, dificilmente conseguirá alavancar sua economia a ponto de pagar os juros e o principal da dívida recém-adquirida.
Desta forma, organismos internacionais, cujo controle costuma pertencer a países alinhados ou ao próprio país-atacante, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, estipulam regras que vão desde políticas econômicas que o país-devedor deverá cumprir, até mudanças no sistema educacional do mesmo.
Finalmente, atinge-se o mais cínico de todos os objetivos: além de ter-se um país alinhado com os interesses da potência hegemônica, cria-se todo um ambiente no qual este país terá grandes dificuldades para conseguir emancipar-se econômica, cultural e politicamente. Some-se a tudo isso democracias de fachada (como a do Brasil), sistemas educacionais sucateados e meios de comunicação servis e alinhados aos mesmos interesses que controlam a potência hegemônica (geralmente o Mercado), e temos o triste diagnóstico de que a escravidão não foi abolida. Ela apenas adquiriu formas mais sofisticadas e de difícil percepção.
Com isso, não é mais necessário escravizar-se pessoas como fazia-se no passado. Ao invés disso, escraviza-se os ambientes culturais, educacionais, políticos e econômicos nos quais milhões de pessoas ao redor do mundo vivem e, por tabela, consegue-se escravizar as pessoas que vivem nestes ambientes.
Diante disso, nunca é demais lembrarmos das palavras de Mahatma Gandhi: "Assim como a árvore está na semente, os fins estão nos meios. Se cuidamos dos meios, o fim cuidará de si mesmo. Sempre temos controle sobre os meios, nunca sobre os fins".
A moral da história é que a submissão da maior parte da humanidade a condições desumanas de miséria, pobreza e necessidades, não é justificável por argumentos como meritocracia ou Darwinismo social. Não é verdade a afirmação de que "ninguém ganha algo com isso". Há uma parcela privilegiada da humanidade que se beneficia com o fluxo atual de transporte de riquezas, aquele que podemos chamar de Dooh Nibor, ou Robin Hood às avessas.
O que deve ser levado em conta é que ao sairmos da selva e nos tornarmos civilizados (pelo menos em teoria), a relação social que pode garantir a sustentabilidade da nossa espécie e, ainda mais, do nosso planeta, é a de cooperação. A competição talvez fosse adequada quando a Terra era um ambiente hostil e inóspito. Com o desenvolvimento científico e tecnológico atual, este certamente não é mais o caso e, portanto, não há nada que justifique guerras econômicas onde seres humanos são submetidos, como escravos, a outros seres humanos.
O problema é que o Capitalismo atual orienta-se pelas leis do neoliberalismo e, com isso, ao invés de construirmos um ambiente cooperativo, criamos um sistema onde, literalmente, "o homem é o lobo do homem".

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