Esmeraldite é uma psico-patologia que, teoricamente, afeta apenas os médicos. Recebe este nome por causa da pedra esmeralda, que orna o anel da medicina. Seu principal sintoma é a incapacidade de admitir, para si próprio, desconhecer a solução para algum problema relacionado à sua especialidade. Sua principal conseqüência é que, por não admitir desconhecer seja lá o que for, acaba deixando de colher os frutos da humildade, e quem paga o preço é o paciente.
O grande benefício de não manter-se arrogante em relação a algum assunto é abrir o horizonte para novas descobertas, pesquisas e conhecimentos. A esmeraldite sufoca esta virtude e perpetua a ignorância, tornando sua vítima um eterno ignorante, incapaz de buscar superar suas próprias limitações e, em muitos casos, prejudicando gravemente pessoas submetidas às suas decisões.
A esmeraldite, entretanto, não é privilégio exclusivo dos médicos! Qualquer pessoa pode ter seus sentidos e bom senso sufocados!
Vejamos o que poderia acontecer numa pequena Faculdade, por exemplo, se seus administradores fossem acometidos pela esmeraldite.
Um dos donos de uma grande Universidade decide investir parte de seu dinheiro na criação de uma nova Faculdade, com um projeto completamente inovador, de primeira linha. Este investidor coloca nos postos-chave pessoas de sua mais alta confiança que, não necessariamente, são qualificadas para tomar as decisões intrínsecas aos cargos.
O que acontece? Os administradores tomam uma decisão mais equivocada do que a outra, numa seqüência de escolhas mal-sucedidas, tornando o investimento financeiramente desinteressante. Cansado de sucessivamente aportar recursos para manter o empreendimento, de repente o financiador do projeto cansa-se da "empreitada" e resolve retirar-se do jogo.
A decisão é tomada pelo dono do dinheiro, conjuntamente (ou não) com aquelas pessoas de sua confiança. Possivelmente os executivos não ficam felizes com a decisão, pois acreditam (ou não) no projeto, mas as decisões tomadas pelos executivos levam a Faculdade para mais uma rodada no vermelho, e o Tomador de Decisões decide pelo tiro de misericórdia, ao invés de, por exemplo, mudar completamente a gestão do negócio.
Num exemplo clássico de esmeraldite, a alta administração da Faculdade, incapaz de perceber a própria incompetência para tocar o negócio, ao invés de contratar profissionais também de primeira linha para os postos-chave, atribui aos problemas do mundo a responsabilidade pelo fracasso do projeto.
Finalmente tomam a decisão: fechar as portas! Num outro exemplo clássico, este, porém, de falta de consideração (e/ou ética), decidem precipitadamente (ou não, o que seria ainda pior), fecham as portas de um dia para o outro, comunicam seus alunos e coordenadores na véspera das aulas, não comunicam seus professores, não planejam a saída do cenário. O motivo é claro: a esmeraldite desconectou todos os sentidos dos tomadores de decisão, inclusive a sensibilidade para com as dezenas de alunos e profissionais que contavam com o início das aulas no próximo dia útil! Pessoas que poderiam ser avisadas logo no início do mês, são avisadas apenas no último dia, tendo suas vidas desestruturadas, correndo atrás de transferências, sofrendo desgaste emocional e obrigadas a engolir o descaso.
Numa tentativa de esclarecer os fatos, um dos executivos ligados diretamente ao dono do jogo, que possivelmente acredita no projeto e não teve qualquer alternativa, reúne-se com alunos, professores e coordenadores numa grande sala de reuniões, expondo sua visão sobre os últimos acontecimentos.
Num misto de perplexidade, indignação e tristeza, os alunos questionam, exigem comprometimento, desabafam. Do outro lado o executivo, apostando no formalismo, frieza e insensibilidade como alternativa de resposta, utiliza técnicas arcaicas, porém eficientes, para falar muito, nada dizer e com nada comprometer-se. Recusa-se a assumir compromissos formais e, no decorrer dos dias que se seguem, não cumpre sequer os compromissos verbais que assumiu. Procura, além disso, dividir a responsabilidade com os demais coordenadores de cursos, que nada são além de funcionários, com nenhum poder de decisão relevante sobre este cenário apocalíptico, incluídos na folha de pagamento, e não na do pró-labore!
No dia seguinte, quando questionado sobre o que havia sido combinado no dia anterior, o executivo encaminha as pessoas para estes mesmos coordenadores de cursos, que se sempre estiveram, continuam mais uma vez fora dos bastidores das grandes decisões, driblando mais uma vez a responsabilidade pela arbitrária e repentina decisão. Estes coordenadores, entretanto, estão tão perplexos e desinformados quanto o menos prejudicado dos alunos!
O cenário foi tão insensivelmente armado, que os tomadores de decisão beneficiam-se de um acordo entre as faculdades privadas. Neste acordo, fica combinado que no caso de um aluno transferir-se de uma faculdade para outra, a primeira fica com o dinheiro da matrícula. Esta Faculdade faz exatamente isso: aceita todas as matrículas feitas durante o mês, aceita o dinheiro, não honra o contrato e não devolve o dinheiro! Um espetáculo de (des)valores que não devem ser transferidos aos nossos filhos.
A secretaria da Faculdade, que conta com um número relativamente baixo de funcionários, não dá conta de preparar toda a burocracia de transferência, de todos os alunos, em tempo hábil. Afinal, não é todo dia que dezenas de alunos amontoam-se, indignados, reivindicando a papelada necessária para procurarem outros rumos. Da mesma forma que os alunos, estes funcionários também são prejudicados.
Quem de fato representa o conjunto das decisões recentes isola-se, literalmente, num nível superior, evitando expor seus sentidos às conseqüências de suas decisões (recentes e acumuladas), confortavelmente sentados atrás de uma mesa de reuniões, numa sala bonita, confortável e asséptica.
Considerando-se que todos os fatos acima sejam verdadeiros, conclui-se que a esmeraldite é uma doença grave, que afeta homens e mulheres, sem restrição de idade, formação acadêmica ou classe social.
Antes a "novela" acima fosse obra de ficção. Talvez os atores envolvidos discordem deste autor em alguns pontos. É possível que a esmeraldite os faça discordar em todos! De qualquer forma, fica aqui o convite (leia-se d-e-s-a-f-i-o) para, por escrito, refutarem todos os argumentos apresentados. Por escrito porque da última vez, ao que parece, as técnicas retóricas utilizadas causaram extremo desgaste e indignação nas vítimas deste grande circo, que não teve a menor graça e fariam até mesmo Tancredo Neves virar de bruços no caixão, Deus o tenha.
Vítimas das decisões equivocadas e dos problemas do mundo, todos somos! A diferença é que enquanto os responsáveis pelas decisões perdem um quinhão de sua poupança, o lado mais fraco, além do dinheiro de uma matrícula, geralmente fruto do trabalho (e não de empreendimentos especulativos), perdem tempo, sofrem desgastes físicos e emocionais, são pegos inadvertidamente, tendo suas vidas mudadas de uma hora para outra, e o mais grave: têm sua moral apunhalada pelas costas.
O cálculo frio e racional em relação à forma de abandonar-se o barco possivelmente conta com as estatísticas: do total de alunos, quantos irão até o fim com uma demanda judicial?!? Financeiramente sairá tão caro quanto moralmente? Há consciência envolvida? O cálculo foi premeditado e preciso, ou terá sido "sem querer querendo"? Seria apenas mais um sintoma da esmeraldite...?
A aposta fica, agora, na Justiça dos homens que, por mais que tarde e falhe, é o único caminho para buscar reparos aos danos materiais e morais ainda nesta vida, mesmo que seja uma poupança a longo prazo: não compensa as perdas e desgastes atuais, mas procura de alguma forma punir os responsáveis e reparar as vítimas.
Que nos sirva de lição para nunca fazermos algo parecido, e para todos os dias tomarmos o cuidado de nos olharmos no espelho, procurando sinceramente encontrar nossas limitações. Principalmente as de ordem ética. Só assim para superá-las.
O grande benefício de não manter-se arrogante em relação a algum assunto é abrir o horizonte para novas descobertas, pesquisas e conhecimentos. A esmeraldite sufoca esta virtude e perpetua a ignorância, tornando sua vítima um eterno ignorante, incapaz de buscar superar suas próprias limitações e, em muitos casos, prejudicando gravemente pessoas submetidas às suas decisões.
A esmeraldite, entretanto, não é privilégio exclusivo dos médicos! Qualquer pessoa pode ter seus sentidos e bom senso sufocados!
Vejamos o que poderia acontecer numa pequena Faculdade, por exemplo, se seus administradores fossem acometidos pela esmeraldite.
Um dos donos de uma grande Universidade decide investir parte de seu dinheiro na criação de uma nova Faculdade, com um projeto completamente inovador, de primeira linha. Este investidor coloca nos postos-chave pessoas de sua mais alta confiança que, não necessariamente, são qualificadas para tomar as decisões intrínsecas aos cargos.
O que acontece? Os administradores tomam uma decisão mais equivocada do que a outra, numa seqüência de escolhas mal-sucedidas, tornando o investimento financeiramente desinteressante. Cansado de sucessivamente aportar recursos para manter o empreendimento, de repente o financiador do projeto cansa-se da "empreitada" e resolve retirar-se do jogo.
A decisão é tomada pelo dono do dinheiro, conjuntamente (ou não) com aquelas pessoas de sua confiança. Possivelmente os executivos não ficam felizes com a decisão, pois acreditam (ou não) no projeto, mas as decisões tomadas pelos executivos levam a Faculdade para mais uma rodada no vermelho, e o Tomador de Decisões decide pelo tiro de misericórdia, ao invés de, por exemplo, mudar completamente a gestão do negócio.
Num exemplo clássico de esmeraldite, a alta administração da Faculdade, incapaz de perceber a própria incompetência para tocar o negócio, ao invés de contratar profissionais também de primeira linha para os postos-chave, atribui aos problemas do mundo a responsabilidade pelo fracasso do projeto.
Finalmente tomam a decisão: fechar as portas! Num outro exemplo clássico, este, porém, de falta de consideração (e/ou ética), decidem precipitadamente (ou não, o que seria ainda pior), fecham as portas de um dia para o outro, comunicam seus alunos e coordenadores na véspera das aulas, não comunicam seus professores, não planejam a saída do cenário. O motivo é claro: a esmeraldite desconectou todos os sentidos dos tomadores de decisão, inclusive a sensibilidade para com as dezenas de alunos e profissionais que contavam com o início das aulas no próximo dia útil! Pessoas que poderiam ser avisadas logo no início do mês, são avisadas apenas no último dia, tendo suas vidas desestruturadas, correndo atrás de transferências, sofrendo desgaste emocional e obrigadas a engolir o descaso.
Numa tentativa de esclarecer os fatos, um dos executivos ligados diretamente ao dono do jogo, que possivelmente acredita no projeto e não teve qualquer alternativa, reúne-se com alunos, professores e coordenadores numa grande sala de reuniões, expondo sua visão sobre os últimos acontecimentos.
Num misto de perplexidade, indignação e tristeza, os alunos questionam, exigem comprometimento, desabafam. Do outro lado o executivo, apostando no formalismo, frieza e insensibilidade como alternativa de resposta, utiliza técnicas arcaicas, porém eficientes, para falar muito, nada dizer e com nada comprometer-se. Recusa-se a assumir compromissos formais e, no decorrer dos dias que se seguem, não cumpre sequer os compromissos verbais que assumiu. Procura, além disso, dividir a responsabilidade com os demais coordenadores de cursos, que nada são além de funcionários, com nenhum poder de decisão relevante sobre este cenário apocalíptico, incluídos na folha de pagamento, e não na do pró-labore!
No dia seguinte, quando questionado sobre o que havia sido combinado no dia anterior, o executivo encaminha as pessoas para estes mesmos coordenadores de cursos, que se sempre estiveram, continuam mais uma vez fora dos bastidores das grandes decisões, driblando mais uma vez a responsabilidade pela arbitrária e repentina decisão. Estes coordenadores, entretanto, estão tão perplexos e desinformados quanto o menos prejudicado dos alunos!
O cenário foi tão insensivelmente armado, que os tomadores de decisão beneficiam-se de um acordo entre as faculdades privadas. Neste acordo, fica combinado que no caso de um aluno transferir-se de uma faculdade para outra, a primeira fica com o dinheiro da matrícula. Esta Faculdade faz exatamente isso: aceita todas as matrículas feitas durante o mês, aceita o dinheiro, não honra o contrato e não devolve o dinheiro! Um espetáculo de (des)valores que não devem ser transferidos aos nossos filhos.
A secretaria da Faculdade, que conta com um número relativamente baixo de funcionários, não dá conta de preparar toda a burocracia de transferência, de todos os alunos, em tempo hábil. Afinal, não é todo dia que dezenas de alunos amontoam-se, indignados, reivindicando a papelada necessária para procurarem outros rumos. Da mesma forma que os alunos, estes funcionários também são prejudicados.
Quem de fato representa o conjunto das decisões recentes isola-se, literalmente, num nível superior, evitando expor seus sentidos às conseqüências de suas decisões (recentes e acumuladas), confortavelmente sentados atrás de uma mesa de reuniões, numa sala bonita, confortável e asséptica.
Considerando-se que todos os fatos acima sejam verdadeiros, conclui-se que a esmeraldite é uma doença grave, que afeta homens e mulheres, sem restrição de idade, formação acadêmica ou classe social.
Antes a "novela" acima fosse obra de ficção. Talvez os atores envolvidos discordem deste autor em alguns pontos. É possível que a esmeraldite os faça discordar em todos! De qualquer forma, fica aqui o convite (leia-se d-e-s-a-f-i-o) para, por escrito, refutarem todos os argumentos apresentados. Por escrito porque da última vez, ao que parece, as técnicas retóricas utilizadas causaram extremo desgaste e indignação nas vítimas deste grande circo, que não teve a menor graça e fariam até mesmo Tancredo Neves virar de bruços no caixão, Deus o tenha.
Vítimas das decisões equivocadas e dos problemas do mundo, todos somos! A diferença é que enquanto os responsáveis pelas decisões perdem um quinhão de sua poupança, o lado mais fraco, além do dinheiro de uma matrícula, geralmente fruto do trabalho (e não de empreendimentos especulativos), perdem tempo, sofrem desgastes físicos e emocionais, são pegos inadvertidamente, tendo suas vidas mudadas de uma hora para outra, e o mais grave: têm sua moral apunhalada pelas costas.
O cálculo frio e racional em relação à forma de abandonar-se o barco possivelmente conta com as estatísticas: do total de alunos, quantos irão até o fim com uma demanda judicial?!? Financeiramente sairá tão caro quanto moralmente? Há consciência envolvida? O cálculo foi premeditado e preciso, ou terá sido "sem querer querendo"? Seria apenas mais um sintoma da esmeraldite...?
A aposta fica, agora, na Justiça dos homens que, por mais que tarde e falhe, é o único caminho para buscar reparos aos danos materiais e morais ainda nesta vida, mesmo que seja uma poupança a longo prazo: não compensa as perdas e desgastes atuais, mas procura de alguma forma punir os responsáveis e reparar as vítimas.
Que nos sirva de lição para nunca fazermos algo parecido, e para todos os dias tomarmos o cuidado de nos olharmos no espelho, procurando sinceramente encontrar nossas limitações. Principalmente as de ordem ética. Só assim para superá-las.

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