Um ponto de vista diferente sobre as idéias que forjam a sociedade...

Concepção Crítica de Ideologia

IDEOLOGIA são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação.” (Thompson, 2007):

  • sentido: diz respeito a fenômenos simbólicos, que mobilizam a cognição, como uma imagem, um texto, uma música, um filme, uma narrativa; ao contrário de fenômenos materiais, que mobilizam recursos físicos, como a violência, a agressão, a guerra;
  • serve para: querendo significar que fenômenos ideológicos são fenômenos simbólicos significativos desde que (somente enquanto) eles sirvam para estabelecer e sustentar relações de dominação;
  • estabelecer: querendo significar que o sentido pode criar ativamente e instituir relações de dominação;
  • sustentar: querendo significar que o sentido pode servir para manter e reproduzir relações de dominação por meio de um contínuo processo de produção e recepção de formas simbólicas;
  • dominação: fenômeno que ocorre quando relações estabelecidas de poder são sistematicamente assimétricas, isto é, quando grupos particulares de agentes possuem poder de uma maneira permanente, e em grau significativo, permanecendo inacessível a outros agentes.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Estado Mínimo e a Auto-Destruição do Mercado

Este ensaio procurará demonstrar que o culto ao Estado Mínimo e à Auto Regulação do Mercado são premissas nocivas à Sociedade e ao próprio Mercado.

Nos países pobres o Estado costuma apresentar um alto custo/benefício relativo ao gasto do dinheiro público. Este fato é utilizado como argumento para fundamentar a premissa de que o Estado Mínimo, nestes casos, é a melhor solução para este problema.

Existem outras soluções possíveis, mas na ausência de um bom motivo que justifique outras alternativas, a do Estado Mínimo costuma ser bem recebida pela sociedade.

Epicuro disse que "A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem".

Desde as grandes navegações, quando surgiram as primeiras Empresas, surgiu a figura da Pessoa Jurídica. Trata-se de uma versão jurídico-empresarial da Pessoa Física comum, igualmente com direitos e deveres, Leis a cumprir, penalidades...

A Pessoa Física, por um lado, recebe educação e cultura durante sua formação e, por toda a vida, pode ser acionada pela Justiça caso descumpra as regras estabelecidas pelas Instituições (compostas também por Pessoas Físicas).

A Pessoa Jurídica, por outro lado, não passa pelo processo educacional, contando única e exclusivamente com os valores das Pessoas Físicas que a constituem. Igualmente, entretanto, está submetida às Leis.

A teoria do Estado Mínimo parte do pressuposto de que as Pessoas Jurídicas são capazes de, naturalmente, se auto-regularem, num ambiente de Mercado.

O que desconstrói esta teoria é que o Mercado Livre não é um ambiente regido por regras ou valores morais, mas sim o contrário. Trata-se de uma versão Jurídica da máxima cunhada por Epícuro, ou seja, é o ambiente onde a Pessoa Jurídica está em estado selvagem! (Este parágrafo é a principal premissa deste ensaio. Caso você acredite que tenha conseguido desconstruí-la, por favor, deixe um Comentário! :-)

A Auto Regulação do Mercado desconsidera o fato de que a vida em sociedade exige a existência de protocolos sociais. Sem regras de convivência, a Pessoa, seja ela Física ou Jurídica, acaba regredindo ao estado selvagem, voltando aos primórdios da Civilização.

É certo que muitos poderão criar pressupostos do tipo "se a barbárie em que nos encontramos hoje é chamada de Civilização, então talvez seja melhor o estado selvagem", ou então "os índios vivem em estado selvagem e desfrutam de muito mais paz e harmonia do que nós, civilizados".

Verdade seja dita, estamos muito longe de alcançar o nível de Civilização desejado, principalmente nós que vivemos nos países pobres. Nos países ricos, entretanto, o Estado é uma força presente, eficiente, ativa, que regula fortemente a coexistência das Pessoas Físicas e Jurídicas!

Nos países mais civilizados, não há Auto Regulação do Mercado. Os dirigentes das potências mundiais certamente defenderão o Mercado Livre, não para as suas Pessoas Jurídicas, mas para as dos países comercialmente concorrentes, ou seja, todos os outros!

O Mercado que se Auto Regula ou, em outras palavras, o ambiente selvagem, interessa apenas a quem detém a força. Na floresta, o Leão beneficia-se das Leis da Natureza. No mar, é a vez do Tubarão. No Mercado, quem será? O Leão e o Tubarão vivem num ambiente natural, já o Mercado foi criado pelos homens, e está longe de atingir o equilíbrio dos ecossistemas naturais.

A quem interessa defender a lógica seguinte:

SE o Estado é ineficiente
E SE o Mercado regula-se melhor sem a interferência do Estado (ineficiente),
ENTÃO o Estado deve ser Mínimo
E o Mercado deve se Auto Regular.

Não seria mais racional defender-se a tese de que o Estado deve ser administrado com mais eficiência, de forma a promover um ambiente civilizado entre as Pessoas Jurídicas, ao invés de defender-se que o Estado dever ser diminuído, de forma a permitir um ambiente selvagem?

Se o Estado, entretanto, estiver nas mãos de Pessoas Físicas que tenham fortes ligações justamente com as Pessoas Jurídicas mais fortes, num ambiente de Mercado Selvagem, é possível que manter a ineficiência do Estado seja um conveniente argumento para diminuir a interferência do Estado neste Mercado, tornando-o pouco competitivo e privilegiando as Pessoas Jurídicas que, historicamente, tornaram-se mais fortes, mesmo que através de práticas imorais e anti-éticas.

Afinal, moral e ética são valores possíveis de serem transferidos apenas a Seres Humanos, e não há nada que garanta que as Pessoas Jurídicas mais fortes sejam lideradas por Seres Humanos, com H maiúsculo!

Daí a necessidade de o Estado estar presente, regular o mercado e criar um ambiente onde a concorrência seja justa, pois a concorrência predatória beneficia apenas o Leão e o Tubarão no ambiente deles. No nosso ambiente não há espaço para Animais Selvagens: eles são abatidos ou ficam enjaulados nos zoológicos.

2 comentários:

alice disse...

Excelente!

Anônimo disse...

Nunca li tanta bobagem junta, temos ai as empresas ainda nas mãos do estado, elefantes brancos e cabides de empregos.
Estado existe para governar e não é capacitado a administração.

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