Um ponto de vista diferente sobre as idéias que forjam a sociedade...

Concepção Crítica de Ideologia

IDEOLOGIA são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação.” (Thompson, 2007):

  • sentido: diz respeito a fenômenos simbólicos, que mobilizam a cognição, como uma imagem, um texto, uma música, um filme, uma narrativa; ao contrário de fenômenos materiais, que mobilizam recursos físicos, como a violência, a agressão, a guerra;
  • serve para: querendo significar que fenômenos ideológicos são fenômenos simbólicos significativos desde que (somente enquanto) eles sirvam para estabelecer e sustentar relações de dominação;
  • estabelecer: querendo significar que o sentido pode criar ativamente e instituir relações de dominação;
  • sustentar: querendo significar que o sentido pode servir para manter e reproduzir relações de dominação por meio de um contínuo processo de produção e recepção de formas simbólicas;
  • dominação: fenômeno que ocorre quando relações estabelecidas de poder são sistematicamente assimétricas, isto é, quando grupos particulares de agentes possuem poder de uma maneira permanente, e em grau significativo, permanecendo inacessível a outros agentes.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Mercado Livre ou Liberal?

A Economia de Livre Mercado (Free Market) existe, à princípio, quando as transações comerciais são livres de qualquer coerção e controle por parte do Estado. Seria a regulamentação de preços baseada na oferta e na demanda, na satisfação do consumidor em geral.

Os conceitos de Liberalismo Econômico (Economic Liberalism), Capitalismo (Capitalism), e Globalização, entretanto, confundem-se com o de Livre Mercado (Free Market), que seria o mecanismo utilizado na movimentação e acumulação de capital.

O trinômio Capitalismo + (Neo)Liberalismo + Globalização pretende, teoricamente, tornar todos as pessoas (físicas e jurídicas) e Estados livres para relacionarem-se comercial e financeiramente entre si. Seria uma extinção das fronteiras que separam os povos e, eventualmente, das desigualdades entre os mesmos, uma vez que todos poderiam usar plenamente o livre-arbítrio para atingir seus próprios objetivos, sem impedimentos provocados, em última instância, pelo Estado.

Da teoria à prática, este trinômio peca por não implementar, de fato, o Livre Mercado. Por tratar-se de um mundo globalizado, esta questão faz sentido ao analisar-se a conjuntura internacional: os países e pessoas (físicas e jurídicas) que estão beneficiando-se com o status quo não estão dispostos a abrir mão de suas vantagens em troca de um Mercado Livre de fato.

O grande problema é quem deverá abrir mão primeiro. Economicamente: quem ganha ou quem perde? Politicamente: o mais forte ou o mais fraco? É uma questão de liberdade ou de força, de pressão?

O argumento de que os países que não implementa(ra)m políticas (neo)liberais são atrasados, esconde uma realidade que diferencia claramente o Mercado Livre do Mercado Liberal! No primeiro, as relações econômicas seriam livres de qualquer coerção e controle por parte do Estado, considerando-se regras do jogo claras e bem definidas, cabendo aos Estados o dever de fazer cumprí-las. No segundo, as relações econômicas são livres até o momento em que não interessa ao(s) Estado(s) mais forte(s) cumprir as regras do Livre Mercado.

Pode-se observar o não-cumprimento destas regras através de medidas como barreiras comerciais e incentivos oferecidos pelos Estados fortes, protegendo seu público interno! Este não é um jogo onde os Estados ficam de fora, muito pelo contrário! Participam ativamente quando interessa!

A ironia está no fato de os teóricos deste tripé ideológico insistirem que os países menos desenvolvidos, como o Brasil, devem implementar todos os conceitos do Livre Mercado num mundo onde o Mercado não é Livre!

Estados como o Brasil seriam os primeiros da lista, abririam suas portas (ou seriam pernas?) para todo o fluxo de capital especulativo mundial e, no momento de beneficiarem-se na relação comercial com os Estados fortes, nada impediria que as portas fechassem-se, ou que as barreiras (comerciais) ficassem mais altas!

Na prática este é um mundo de força, não de liberdade. O Livre Mercado é um argumento de conveniência, imposto como condição indispensável ao desenvolvimento de países como o nosso, mas nem sequer de longe praticado por países fortes e desenvolvidos que, sempre que lhes é conveniente, transformam o Mercado Livre em Liberal, onde as regras do jogo são claras: ganha sempre o mais forte!

1 comentários:

Adriana Ortiz disse...

Hehe... Tem uma frase que eu adoro: Bem vindo ao mundo!!!
Essa realidade está longe de mudar. Pelo menos enquanto o Capitalismo for o Ca-pi-ta-lis-mo que nós conhecemos, isso irá prevalecer...
Gostei do texto e da assertividade! ;-)
Beijo!

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