Um ponto de vista diferente sobre as idéias que forjam a sociedade...

Concepção Crítica de Ideologia

IDEOLOGIA são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação.” (Thompson, 2007):

  • sentido: diz respeito a fenômenos simbólicos, que mobilizam a cognição, como uma imagem, um texto, uma música, um filme, uma narrativa; ao contrário de fenômenos materiais, que mobilizam recursos físicos, como a violência, a agressão, a guerra;
  • serve para: querendo significar que fenômenos ideológicos são fenômenos simbólicos significativos desde que (somente enquanto) eles sirvam para estabelecer e sustentar relações de dominação;
  • estabelecer: querendo significar que o sentido pode criar ativamente e instituir relações de dominação;
  • sustentar: querendo significar que o sentido pode servir para manter e reproduzir relações de dominação por meio de um contínuo processo de produção e recepção de formas simbólicas;
  • dominação: fenômeno que ocorre quando relações estabelecidas de poder são sistematicamente assimétricas, isto é, quando grupos particulares de agentes possuem poder de uma maneira permanente, e em grau significativo, permanecendo inacessível a outros agentes.

sábado, 25 de março de 2006

Sereias, Vampiros e Medusas

Existem alguns seres mitológicos que, nos dias de hoje, ainda estão muito presentes. Este texto procura fazer uma analogia entre alguns destes seres e perfis psicológicos contemporâneos.

Sereias são seres mitológicos que cantam com tanta doçura que atraem os tripulantes dos navios que passam por perto, os quais ao se aproximarem são devorados. A analogia serve àqueles que seduzem as pessoas, com doçura, dissimulação, inteligência, exaltação de sentimentos, amizades, paixões, amores e, quando finalmente envolvem a presa, devoram seus sentimentos, sem piedade. O importante para as sereias é devorar corações, indiscriminadamente. A patologia é instintiva, está muito além do próprio controle e compreensão destes predadores.

Vampiros são seres mitológicos que alimentam-se de sangue humano para sobreviver. No mundo contemporâneo, esta analogia pode ser feita àqueles que aproximam-se das pessoas, sugam suas energias, usam-nas para compensar suas próprias carências, angústias, tristezas, vazios e loucuras e, no final, descartam-nas. Há muitas energias a serem sugadas por pessoas assim: tempo, amizade, sentimentos, paixão, amor... O importante para os vampiros é abordar presas suscetíveis, sugar toda a energia disponível e, então, partir para a próxima presa. A necessidade que têm de alimentar-se destas energias é fisiológica e patológica, está além do controle dos próprios predadores.

Medusa é um ser mitológico que tem o aspecto de uma bela mulher, mas possui serpentes no lugar de seus cabelos e transforma em pedra quem olha diretamente em seus olhos. Esta analogia pode ser interpretada sob duas óticas. A primeira trata das conseqüências a que está exposta uma pessoa que convive com uma medusa: o coração da vítima pode congelar-se indefinidamente, tornando-a amarga e descrente com o futuro e com as pessoas. A segunda trata da incapacidade de uma medusa enxergar-se diante do espelho. Intimamente, a medusa sabe (ou sente) que apenas seu aspecto é belo, mas que sua essência é destrutiva e egoísta. Uma vez que a auto-observação pode colocar em colapso sua própria existência, a medusa não observa-se no espelho, perpetuando suas características, sejam elas quais forem.

A construção de um perfil psicológico que combine estes três personagens pode dar-se da seguinte forma: o indivíduo analisado (objeto de estudo) possui as características sedutoras da sereia, encantando a presa e puxando-a para o fundo das águas, como num "abraço do afogado". Soma-se a isso a característica do vampiro de sugar as energias da presa e, ao final, descartar-lhe. O ciclo fecha-se com a capacidade da medusa de, ao final, congelar o coração de suas vítimas e, em contrapartida, sua incapacidade de observar-se e perceber-se.

Às presas restam poucas saídas: afastamento total, absoluto e irrestrito, ou muita fé, seja de que a maldição desaparecerá, seja de que suas próprias energias serão infinitas e que anticorpos serão criados durante a convivência com seus respectivos predadores. A aposta nesta última opção, entretanto, pode tornar o processo de recuperação da presa extremamente longo e doloroso, se houver. É uma opção! Uma escolha pessoal!

Pessoas com qualquer combinação destes perfis podem realmente acreditar que são boas, mas pode não tratar-se de opção ou filosofia de vida, e sim de patologia, doença! Estas pessoas precisam de ajuda técnica, profissional e especializada, e não de pessoas bem-intencionadas, seduzidas e dispostas a entregar-lhes até a última gota do próprio sangue, ou mesmo o coração, numa bandeja. As presas, por melhores sentimentos que tenham, não poderão ajudar esses doentes, ainda mais quando o envolvimento é passional. As intenções destes seres podem ser as melhores, mas os resultados de suas atitudes ferem todos que os cercam, mais cedo ou mais tarde. A causa pode ser boa, mas a conseqüência é !

Gandhi dizia que é impossível atingir-se fins nobres através de meios vis: "Assim como a árvore está na semente, os fins estão nos meios".

2 comentários:

Paty disse...

Lêêê... é a Paty...
huuum.. lembra?? TN! rsrs
Havia prmetido q passaria aqui novamente...
Cá estou eu!
e adivinha... LÍ! hehehe
e, cansado de saber, vc escreve mto bem, rapaz!
Caráca... mto interessante essa analogia dos seres mitológicos, com pessoas.
Mtas sereias, vampiros e medusas está entre nós, huh?!?! rs
Vários outros textos q passei o olho e pretendo ler... mas poxa... um maior q o outro...
Vai juntando, imprime, faz um livrinho...rsrs
Vê se aparece na facul, moço "sério"! ehhehe


Beijinhos

Anônimo disse...

O meu caminho cruzou-se recentemente com o de um homem com as características exactas destes 3 seres mitológicos de que falas: 1º apresentou-me a sua faceta de "sereia", encantou-me, enfeitiçou-me, cativou o meu afecto como nunca dantes me acontecera. Depois veio o vampirismo: sugou as minhas energias e fugiu, e agora sinto o efeito "medusa": o meu coração arrisca-se a ser transformado numa pedra. A descrição que fazes, o perfil que traças é absolutamente perfeito e inacreditavelmente real.

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