Há muito tempo atrás, havia no mundo o que se chamava de "luta de classes". De um lado, os "dominantes", em menor número, porém com mais poder. Do outro, os "dominados", mais numerosos e com pouco (ou nenhum) poder de fato.
Por quê de fato? Porque de direito o que não faltam são teorias (também conhecidas como leis) que dão poder aos dominados. Mas na prática, a teoria é outra.
Na democracia, teoricamente, o poder deveria ser exercido pelo povo e para o povo, o que implicaria que o povo seria a classe dominante (não haveria, portanto, ninguém para ser dominado, logo não existiria classe dominada). No mundo de hoje, entretanto, ao contrário da Grécia Antiga (berço da democracia), as pessoas não podem dedicar-se integralmente à política, fazendo-se representar por uma minoria. Esta minoria de representantes deveria servir ao povo e seus interesses, mas na prática acaba servindo aos interesses de uma parcela mínima deste povo, que chamaremos aqui de "classe dominante".
A "classe dominante" (ou elite) e os "representantes do povo" (ou políticos) acabam confundindo-se, pois enquanto os primeiros têm poder econômico, os últimos têm poder de fato, instrumentalizado, juridicamente protegido... e, é claro: interesses econômicos! Uma mão acaba por lavar a outra!
Na classe dominada (ou povo) é comum surgirem lideranças que, sedentas por justiça social, revoltam-se contra o status quo (ou Sistema) e criam ou participam de mecanismos que procuram recuperar, de alguma forma, aquele poder de direito, mas não de fato, que o povo tem.
Existe uma característica interessante, entretanto, que é comum à maioria dos seres humanos: quase todo homem tem seu preço! Isso significa que, uma vez seduzida ou convencida, qualquer pessoa é capaz de parar de lutar contra o Sistema, seja por aceitá-lo passivamente, resignando-se; seja por aceitá-lo ativamente, beneficiando-se.
Este preço não necessariamente está relacionado com dinheiro. Pode também ser poder, medo...
A elite (e aqui não estamos mais falando daquela elite do conceito antigo, que trata das lutas de classe) modelou o Sistema de tal forma que, hoje em dia, qualquer pessoa do povo tem, virtualmente, acesso a esta classe superior.
A simples possibilidade de acesso, entretanto, não tem qualquer significado se não vier acompanhado de desejo por esta ascensão.
Não está em discussão aqui se a criação foi natural ou artificial, mas o que importa é que o Sistema é capaz de fazer com que a maioria do povo aceite o status quo onde encontra-se. Por quê maioria e não totalidade? Porque há exceções! A estas exceções chamaremos de "lideranças".
As lideranças (ao menos teoricamente) procuram, num primeiro momento, desestabilizar o Sistema, com o objetivo de diminuir o desequilíbrio de forças e interesses que há entre dominantes e dominados. Quando tornam-se lideranças, essas pessoas estão num meio de caminho entre os dominantes e dominados pois, em última instância, lideram os dominados contra os dominantes.
O Sistema funciona de tal forma que, de três uma:
Ou as lideranças são bem-sucedidas e conseguem mobilizar os dominados de tal forma que conseguem alterar o status quo. As conseqüências disso costumam ser revoluções.
Ou as lideranças são mal-sucedidas. Nada se altera.
Ou as lideranças viram a casaca e aceitam o convite para ingressar na desejável classe dominante. Nada se altera além do fato de a elite dividir seu poder com mais uma pessoa (ex-liderança, agora dominante), ao invés de com mais milhões de ex-dominados.
Qualquer estrutura de poder é piramidal: quem está na ponta domina, quem compõe a base é dominado. A democracia é justamente uma tentativa de fazer com que a ponta da pirâmide do poder (político, social, econômico) seja composta por pessoas que façam as coisas acontecerem em benefício da base.
As estruturas como essa, em que a base influencia e é influenciada pela ponta, chamamos de "estruturas colegiadas". Aquelas em que apenas a ponta influencia a base, esta sendo completamente obediente aos interesses e determinações daquela, chamamos de "estrutura piramidal".
Em qualquer instância da vida privada, corporativa e pública, é possível observar-se os mecanismos de poder: associações, sindicatos, federações, confederações, prefeituras, assembléias, câmaras, senados, conselhos, fundações, diretorias, assembléias...
É aceitável que numa empresa, desde que com justiça e dignidade, uma pessoa mande e outras obedeçam. Em quaisquer outras estruturas onde existem diferentes níveis de poder, a busca pela democracia deve ser uma constante: base influencia ponta que comanda pela e para base! Isso é democracia!
Sistemas muito complexos, entretanto, como o político, exigem representantes intermediários (as lideranças). São essas pessoas que podem ou não contribuir para que o Sistema seja justo para todos (ricos, pobres, poderosos, subalternos... todos!). Esta influência pode ocorrer influenciando quem tem poder a agir com justiça, ou mobilizando quem não tem poder a pressionar para que haja justiça.
A liderança é, portanto, peça-chave para mudança ou manutenção do status quo!
É por isso que afirma-se que "todo homem tem seu preço". A depender da influência que uma liderança tenha, a elite (qualquer que seja ela) pode dispor-se a corrompê-la e seduzi-la para o seu lado, pagando preços altíssimos se for o caso. O importante é manter o status quo!
Some-se a isso os diversos desejos que são, desde a tenra infância, incorporados no subconsciente da gigantesca maioria das pessoas.
Some-se também a habilidade com que o Sistema convence as pessoas a aceitarem o mundo de injustiças em que se encontram.
O resultado torna-se claro: temos um rebanho de bilhões de cabeças comportadas, um punhado das quais inconformadas, algumas destas de alguma forma realmente engajadas com algo que altere o status quo e, finalmente, destas sobram poucas que não estão à venda!
Uma pessoa não comporia o "rebanho" se não fosse alienada e/ou conformada: seria uma liderança. Talvez o que falte no mundo sejam lideranças. Numa abstração exagerada, o que aconteceria se todas as pessoas atingissem um grau de consciência e/ou inconformismo tal, que desejassem e se mobilizassem para que o mundo, em suas mais variadas instâncias, fosse mais justo?
Possivelmente o mundo, de fato, fosse mais justo!
Isso trata-se de uma utopia e, conseqüentemente, algo que não existe e/ou é impossível. Mas não é impossível que no mundo surjam mais lideranças, com boas causas, bons princípios, éticas e justas...
Provavelmente a "fórmula mágica" para conseguirmos que o mundo farte-se de pessoas assim seja através da educação.
Chegamos então a uma conclusão extremamente clara: a educação não interessa ao Sistema!. Mas mesmo assim existem pessoas educadas em alguns lugares do mundo, e continuam havendo injustiças.
Daí podemos tirar uma outra possível conclusão: por mais educadas que algumas pessoas possam ser, isso não as liberta dos desejos inerentes à maioria (felizmente não totalidade) dos seres humanos: riqueza, poder, conforto...
E o Sistema em que vivemos hoje é extremamente sedutor. Sedutor e influente: quando oferece educação, estimula valores importantes para a manutenção do Sistema (que, conseqüentemente, beneficia a elite), mas não aqueles valores que oferecem risco ao status quo. Filosofia, ética, política, sociologia e outras ciências que interpretam o mundo, passam longe dos bancos escolares.
Adquirindo habilidade para um bom emprego, mas não tendo consciência do que está por trás do status quo, temos o fenótipo do ser humano contemporâneo médio (os dominados): deseja passar numa boa universidade, para conseguir um bom emprego, receber um bom salário, para poder ter uma vida confortável, constituir uma família, oferecer-lhe tudo do bom e do melhor, talvez até mesmo doar parte do excedente... não é incrível como os desejos das pessoas são pasteurizados? Palmas ao Sistema! E a quem, eventualmente, tenha colaborado com sua construção.
Dificilmente encontraremos pessoas que têm, além desses desejos todos, o mais revolucionário de todos: o de mudar o Mundo! E o principal: estejam dispostas a agir de fato neste sentido.
Pode até ser difícil termos (e digo termos porque todos ganhamos com a existência de) pessoas assim, mas, felizmente, isso não é utopia!
Um mundo mais justo, equilibrado, ecologicamente sustentável, pode não beneficiar ainda mais a elite, mas certamente não faz mal a ninguém!
Por quê de fato? Porque de direito o que não faltam são teorias (também conhecidas como leis) que dão poder aos dominados. Mas na prática, a teoria é outra.
Na democracia, teoricamente, o poder deveria ser exercido pelo povo e para o povo, o que implicaria que o povo seria a classe dominante (não haveria, portanto, ninguém para ser dominado, logo não existiria classe dominada). No mundo de hoje, entretanto, ao contrário da Grécia Antiga (berço da democracia), as pessoas não podem dedicar-se integralmente à política, fazendo-se representar por uma minoria. Esta minoria de representantes deveria servir ao povo e seus interesses, mas na prática acaba servindo aos interesses de uma parcela mínima deste povo, que chamaremos aqui de "classe dominante".
A "classe dominante" (ou elite) e os "representantes do povo" (ou políticos) acabam confundindo-se, pois enquanto os primeiros têm poder econômico, os últimos têm poder de fato, instrumentalizado, juridicamente protegido... e, é claro: interesses econômicos! Uma mão acaba por lavar a outra!
Na classe dominada (ou povo) é comum surgirem lideranças que, sedentas por justiça social, revoltam-se contra o status quo (ou Sistema) e criam ou participam de mecanismos que procuram recuperar, de alguma forma, aquele poder de direito, mas não de fato, que o povo tem.
Existe uma característica interessante, entretanto, que é comum à maioria dos seres humanos: quase todo homem tem seu preço! Isso significa que, uma vez seduzida ou convencida, qualquer pessoa é capaz de parar de lutar contra o Sistema, seja por aceitá-lo passivamente, resignando-se; seja por aceitá-lo ativamente, beneficiando-se.
Este preço não necessariamente está relacionado com dinheiro. Pode também ser poder, medo...
A elite (e aqui não estamos mais falando daquela elite do conceito antigo, que trata das lutas de classe) modelou o Sistema de tal forma que, hoje em dia, qualquer pessoa do povo tem, virtualmente, acesso a esta classe superior.
A simples possibilidade de acesso, entretanto, não tem qualquer significado se não vier acompanhado de desejo por esta ascensão.
Não está em discussão aqui se a criação foi natural ou artificial, mas o que importa é que o Sistema é capaz de fazer com que a maioria do povo aceite o status quo onde encontra-se. Por quê maioria e não totalidade? Porque há exceções! A estas exceções chamaremos de "lideranças".
As lideranças (ao menos teoricamente) procuram, num primeiro momento, desestabilizar o Sistema, com o objetivo de diminuir o desequilíbrio de forças e interesses que há entre dominantes e dominados. Quando tornam-se lideranças, essas pessoas estão num meio de caminho entre os dominantes e dominados pois, em última instância, lideram os dominados contra os dominantes.
O Sistema funciona de tal forma que, de três uma:
Ou as lideranças são bem-sucedidas e conseguem mobilizar os dominados de tal forma que conseguem alterar o status quo. As conseqüências disso costumam ser revoluções.
Ou as lideranças são mal-sucedidas. Nada se altera.
Ou as lideranças viram a casaca e aceitam o convite para ingressar na desejável classe dominante. Nada se altera além do fato de a elite dividir seu poder com mais uma pessoa (ex-liderança, agora dominante), ao invés de com mais milhões de ex-dominados.
Qualquer estrutura de poder é piramidal: quem está na ponta domina, quem compõe a base é dominado. A democracia é justamente uma tentativa de fazer com que a ponta da pirâmide do poder (político, social, econômico) seja composta por pessoas que façam as coisas acontecerem em benefício da base.
As estruturas como essa, em que a base influencia e é influenciada pela ponta, chamamos de "estruturas colegiadas". Aquelas em que apenas a ponta influencia a base, esta sendo completamente obediente aos interesses e determinações daquela, chamamos de "estrutura piramidal".
Em qualquer instância da vida privada, corporativa e pública, é possível observar-se os mecanismos de poder: associações, sindicatos, federações, confederações, prefeituras, assembléias, câmaras, senados, conselhos, fundações, diretorias, assembléias...
É aceitável que numa empresa, desde que com justiça e dignidade, uma pessoa mande e outras obedeçam. Em quaisquer outras estruturas onde existem diferentes níveis de poder, a busca pela democracia deve ser uma constante: base influencia ponta que comanda pela e para base! Isso é democracia!
Sistemas muito complexos, entretanto, como o político, exigem representantes intermediários (as lideranças). São essas pessoas que podem ou não contribuir para que o Sistema seja justo para todos (ricos, pobres, poderosos, subalternos... todos!). Esta influência pode ocorrer influenciando quem tem poder a agir com justiça, ou mobilizando quem não tem poder a pressionar para que haja justiça.
A liderança é, portanto, peça-chave para mudança ou manutenção do status quo!
É por isso que afirma-se que "todo homem tem seu preço". A depender da influência que uma liderança tenha, a elite (qualquer que seja ela) pode dispor-se a corrompê-la e seduzi-la para o seu lado, pagando preços altíssimos se for o caso. O importante é manter o status quo!
Some-se a isso os diversos desejos que são, desde a tenra infância, incorporados no subconsciente da gigantesca maioria das pessoas.
Some-se também a habilidade com que o Sistema convence as pessoas a aceitarem o mundo de injustiças em que se encontram.
O resultado torna-se claro: temos um rebanho de bilhões de cabeças comportadas, um punhado das quais inconformadas, algumas destas de alguma forma realmente engajadas com algo que altere o status quo e, finalmente, destas sobram poucas que não estão à venda!
Uma pessoa não comporia o "rebanho" se não fosse alienada e/ou conformada: seria uma liderança. Talvez o que falte no mundo sejam lideranças. Numa abstração exagerada, o que aconteceria se todas as pessoas atingissem um grau de consciência e/ou inconformismo tal, que desejassem e se mobilizassem para que o mundo, em suas mais variadas instâncias, fosse mais justo?
Possivelmente o mundo, de fato, fosse mais justo!
Isso trata-se de uma utopia e, conseqüentemente, algo que não existe e/ou é impossível. Mas não é impossível que no mundo surjam mais lideranças, com boas causas, bons princípios, éticas e justas...
Provavelmente a "fórmula mágica" para conseguirmos que o mundo farte-se de pessoas assim seja através da educação.
Chegamos então a uma conclusão extremamente clara: a educação não interessa ao Sistema!. Mas mesmo assim existem pessoas educadas em alguns lugares do mundo, e continuam havendo injustiças.
Daí podemos tirar uma outra possível conclusão: por mais educadas que algumas pessoas possam ser, isso não as liberta dos desejos inerentes à maioria (felizmente não totalidade) dos seres humanos: riqueza, poder, conforto...
E o Sistema em que vivemos hoje é extremamente sedutor. Sedutor e influente: quando oferece educação, estimula valores importantes para a manutenção do Sistema (que, conseqüentemente, beneficia a elite), mas não aqueles valores que oferecem risco ao status quo. Filosofia, ética, política, sociologia e outras ciências que interpretam o mundo, passam longe dos bancos escolares.
Adquirindo habilidade para um bom emprego, mas não tendo consciência do que está por trás do status quo, temos o fenótipo do ser humano contemporâneo médio (os dominados): deseja passar numa boa universidade, para conseguir um bom emprego, receber um bom salário, para poder ter uma vida confortável, constituir uma família, oferecer-lhe tudo do bom e do melhor, talvez até mesmo doar parte do excedente... não é incrível como os desejos das pessoas são pasteurizados? Palmas ao Sistema! E a quem, eventualmente, tenha colaborado com sua construção.
Dificilmente encontraremos pessoas que têm, além desses desejos todos, o mais revolucionário de todos: o de mudar o Mundo! E o principal: estejam dispostas a agir de fato neste sentido.
Pode até ser difícil termos (e digo termos porque todos ganhamos com a existência de) pessoas assim, mas, felizmente, isso não é utopia!
Um mundo mais justo, equilibrado, ecologicamente sustentável, pode não beneficiar ainda mais a elite, mas certamente não faz mal a ninguém!

2 comentários:
Leandro, uma das unicas coisas q discordo em seu texto não é q esteja fora do você colocou e sim q gera um novo pensamento
Não existem lideranças mal sucedidas e sim mal recebidas pela totalidade, enquanto existir uma liderança haverá um outro lider sendo dispertado por ele e quem sabe esse sendo bem sucedido...
E realmente falta "educação", pois vejo isso em minha casa, meu irmão estuda a filosofia do sistema, não pensa em sair desse "comodismo", já a filosofia q aprendi não foi em um banco escolar e essa sim me gera um incoformismo e de uns tempo pra cá uma vontade imensa de agir.
Quem sabe não poderei ser uma lider, se não bem sucedida q disperte um lider bem sucedido.
A auto defesa faz-me falta
Acho que ela depende de nós próprios
Ela é apena a nossa força interior capaz de expressar segurança e força
Sou do genero não me toques senão podes ficar com certos promenores feridos
Nem me façam aquilo que eu não deixo
Eu sei o que sou
Sayonara
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