Alguns hábitos são como preconceitos: difíceis de serem quebrados! Muitos são criados naturalmente ao longo do tempo, outros não. Entre os criados artificialmente, podemos identificar um facilmente observável em qualquer shopping center.
O cliente vai à praça de alimentação, escolhe um fast-food, faz sua compra, leva a bandeja até a mesa, come e, por final, leva gentilmente os restos ao lixo e descarrega a bandeja logo acima.
Esse é o comportamento médio dos clientes de fast-foods. Surge a dúvida: por quê é assim que funciona? Oras, porque a idéia é ser rápido! Compra fast, come fast, desocupa fast! É como numa cocheira, só que para humanos.
Às vezes é inevitável freqüentarmos esses lugares, mas a última parte do roteiro "compra-come-desocupa" merece especial atenção: não seria ainda mais fast se assim que terminássemos a refeição simplesmente nos levantássemos e seguíssemos nosso rumo? Por quê é que perdemos tempo esvaziando o que sobrou no lixo e guardando a bandeja?
Algumas das respostas semi-automáticas poderiam ser: por educação, um gesto altruísta, liberando espaço para o próximo cliente, não custa nada!
Por outro lado, não seria uma cortesia do restaurante, ou shopping, disponibilizar funcionários justamente para este fim, poupando o tempo e o esforço do cliente? Oras, os shoppings são a concretização mais fiel do capitalismo: por quê seria educado socializar o trabalho entre os clientes? Para isso existem os funcionários!
Se, num raciocínio extremo, todos os clientes colaborassem com a limpeza e organização de um shopping, certamente menos funcionários seriam necessários. Num outro extremo, o que aconteceria se todos os clientes resumissem seu esforço apenas a lazer e consumo? Provavelmente ocorreria o inverso: mais empregos seriam gerados, ou a insatisfação tomaria conta da clientela!
Sim, são empregos pouco qualificados, virtualmente desnecessários, mas suficientes para inserir no mercado de trabalho pessoas, da mesma forma, pouco qualificadas!
Podemos vislumbrar alguns contra-argumentos a essa lógica, como por exemplo, que a contratação de mais funcionários aumentaria o custo e, conseqüentemente, o preço, prejudicando os clientes. Temos aí uma questão de fé, pois a lógica do capitalismo funciona diferente. O preço de produtos que não são commodities (como arroz, feijão, soja) não é uniformizado "por baixo". Se os clientes têm disposição para pagar mais de R$10,00 num Big Mac, a uma demanda considerável, então cobra-se isso, mesmo que seu custo seja inferior a R$1,00! São produtos de marca, não commodities!
O aumento de custos não é, portanto, o regulador de preços em redes de fast-food e shopping centers. Contratar mais uma dezena de funcionários pouco qualificados não deverá encarecer os produtos e este argumento, portanto, fica desconstruído.
O aumento do tempo de espera por uma mesa vaga poderia ser um outro argumento. Consideremos que, hipoteticamente, a praça de alimentação está sempre lotada, pois no caso de haverem mesas vazias este argumento não tem validade. O que aconteceria se muitos clientes tivessem que aguardar muito tempo para sentarem-se num determinado shopping? Possivelmente alguns clientes mais exigentes deixassem de freqüentar aquele espaço e procurassem um outro mais confortável. Veja só a "lógica do Mercado" funcionando em sua plenitude! Se um lugar não agrada, o público vai para outro, simples assim! Como os donos daquele shopping poderiam fazer para liberar as mesas mais rapidamente? Contratar mais pessoas para limparem as mesas seria uma solução!
O aumento do tempo de espera está, portanto, diretamente relacionado à satisfação dos clientes. Um shopping que começar a perder clientes insatisfeitos deverá tomar alguma atitude neste sentido que, na pior das hipóteses, gerará mais empregos.
Um terceiro argumento que merece ser desconstruído, diz respeito aos 10% que deixamos de pagar pelo atendimento em shoppings e fast-foods. Esse raciocínio é o cúmulo da camaradagem para com o dono do negócio! É como se pelo fato de os 10% não serem cobrados explicitamente, nos sentíssemos meio que obrigados a dar nossa contrapartida! Quando vamos em restaurantes com garçons, temos a opção de pagar ou não os 10%, mas nenhum de nós fala para o garçom ficar "sossegado" que nós fazemos questão de tirar os pratos da mesa. Por quê no shopping fazemos exatamente o contrário? Seria pelo fato de não haver uma despesa chamada 10% no cupom fiscal (no caso de quem exige o cupom fiscal, é claro)?
Aí é que mora o preconceito! Fomos educados a considerar educado fazer isso, mas não fomos levados a refletir sobre os porquês de fazermos assim, ou assado. Talvez se os shoppings oferecessem uma contrapartida toda vez que levássemos a bandeja ao lixo, como por exemplo nos dar de volta 10% de nossas despesas com alimentação, valesse a pena fazer esta "gentileza". (Aliás, esta mesma lógica funciona com carrinhos de supermercado em estacionamentos!)
Um último argumento que merece desconstrução é mais radical: por quê não fazer o contrário então? Sujar a mesa, o chão, o banheiro e as paredes deliberadamente, a fim de gerarmos mais empregos? Ou mesmo cometer alguns vandalismos?!? A resposta é simples: porque existe uma diferença entre deixarmos de fazer algo supostamente positivo por uma boa causa e, por outro lado, fazermos algo negativo por esta mesma causa. Temos que diferenciar os fins dos meios. Existe um provérbio que resume perfeitamente o que seria a desconstrução deste argumento: "não se atinge fins nobres através de meios vis"!
O mais importante de tudo é enxergarmos, por mais insignificante que esta questão possa parecer perto dos outros problemas do mundo, que este é um gesto repitido milhões de vezes, todos os dias, ao redor de todo o mundo. Quem ganha e quem perde com esta "gentileza" é a melhor reflexão que podemos fazer da próxima vez que terminarmos de comer um Big Mac.
O cliente vai à praça de alimentação, escolhe um fast-food, faz sua compra, leva a bandeja até a mesa, come e, por final, leva gentilmente os restos ao lixo e descarrega a bandeja logo acima.
Esse é o comportamento médio dos clientes de fast-foods. Surge a dúvida: por quê é assim que funciona? Oras, porque a idéia é ser rápido! Compra fast, come fast, desocupa fast! É como numa cocheira, só que para humanos.
Às vezes é inevitável freqüentarmos esses lugares, mas a última parte do roteiro "compra-come-desocupa" merece especial atenção: não seria ainda mais fast se assim que terminássemos a refeição simplesmente nos levantássemos e seguíssemos nosso rumo? Por quê é que perdemos tempo esvaziando o que sobrou no lixo e guardando a bandeja?
Algumas das respostas semi-automáticas poderiam ser: por educação, um gesto altruísta, liberando espaço para o próximo cliente, não custa nada!
Por outro lado, não seria uma cortesia do restaurante, ou shopping, disponibilizar funcionários justamente para este fim, poupando o tempo e o esforço do cliente? Oras, os shoppings são a concretização mais fiel do capitalismo: por quê seria educado socializar o trabalho entre os clientes? Para isso existem os funcionários!
Se, num raciocínio extremo, todos os clientes colaborassem com a limpeza e organização de um shopping, certamente menos funcionários seriam necessários. Num outro extremo, o que aconteceria se todos os clientes resumissem seu esforço apenas a lazer e consumo? Provavelmente ocorreria o inverso: mais empregos seriam gerados, ou a insatisfação tomaria conta da clientela!
Sim, são empregos pouco qualificados, virtualmente desnecessários, mas suficientes para inserir no mercado de trabalho pessoas, da mesma forma, pouco qualificadas!
Podemos vislumbrar alguns contra-argumentos a essa lógica, como por exemplo, que a contratação de mais funcionários aumentaria o custo e, conseqüentemente, o preço, prejudicando os clientes. Temos aí uma questão de fé, pois a lógica do capitalismo funciona diferente. O preço de produtos que não são commodities (como arroz, feijão, soja) não é uniformizado "por baixo". Se os clientes têm disposição para pagar mais de R$10,00 num Big Mac, a uma demanda considerável, então cobra-se isso, mesmo que seu custo seja inferior a R$1,00! São produtos de marca, não commodities!
O aumento de custos não é, portanto, o regulador de preços em redes de fast-food e shopping centers. Contratar mais uma dezena de funcionários pouco qualificados não deverá encarecer os produtos e este argumento, portanto, fica desconstruído.
O aumento do tempo de espera por uma mesa vaga poderia ser um outro argumento. Consideremos que, hipoteticamente, a praça de alimentação está sempre lotada, pois no caso de haverem mesas vazias este argumento não tem validade. O que aconteceria se muitos clientes tivessem que aguardar muito tempo para sentarem-se num determinado shopping? Possivelmente alguns clientes mais exigentes deixassem de freqüentar aquele espaço e procurassem um outro mais confortável. Veja só a "lógica do Mercado" funcionando em sua plenitude! Se um lugar não agrada, o público vai para outro, simples assim! Como os donos daquele shopping poderiam fazer para liberar as mesas mais rapidamente? Contratar mais pessoas para limparem as mesas seria uma solução!
O aumento do tempo de espera está, portanto, diretamente relacionado à satisfação dos clientes. Um shopping que começar a perder clientes insatisfeitos deverá tomar alguma atitude neste sentido que, na pior das hipóteses, gerará mais empregos.
Um terceiro argumento que merece ser desconstruído, diz respeito aos 10% que deixamos de pagar pelo atendimento em shoppings e fast-foods. Esse raciocínio é o cúmulo da camaradagem para com o dono do negócio! É como se pelo fato de os 10% não serem cobrados explicitamente, nos sentíssemos meio que obrigados a dar nossa contrapartida! Quando vamos em restaurantes com garçons, temos a opção de pagar ou não os 10%, mas nenhum de nós fala para o garçom ficar "sossegado" que nós fazemos questão de tirar os pratos da mesa. Por quê no shopping fazemos exatamente o contrário? Seria pelo fato de não haver uma despesa chamada 10% no cupom fiscal (no caso de quem exige o cupom fiscal, é claro)?
Aí é que mora o preconceito! Fomos educados a considerar educado fazer isso, mas não fomos levados a refletir sobre os porquês de fazermos assim, ou assado. Talvez se os shoppings oferecessem uma contrapartida toda vez que levássemos a bandeja ao lixo, como por exemplo nos dar de volta 10% de nossas despesas com alimentação, valesse a pena fazer esta "gentileza". (Aliás, esta mesma lógica funciona com carrinhos de supermercado em estacionamentos!)
Um último argumento que merece desconstrução é mais radical: por quê não fazer o contrário então? Sujar a mesa, o chão, o banheiro e as paredes deliberadamente, a fim de gerarmos mais empregos? Ou mesmo cometer alguns vandalismos?!? A resposta é simples: porque existe uma diferença entre deixarmos de fazer algo supostamente positivo por uma boa causa e, por outro lado, fazermos algo negativo por esta mesma causa. Temos que diferenciar os fins dos meios. Existe um provérbio que resume perfeitamente o que seria a desconstrução deste argumento: "não se atinge fins nobres através de meios vis"!
O mais importante de tudo é enxergarmos, por mais insignificante que esta questão possa parecer perto dos outros problemas do mundo, que este é um gesto repitido milhões de vezes, todos os dias, ao redor de todo o mundo. Quem ganha e quem perde com esta "gentileza" é a melhor reflexão que podemos fazer da próxima vez que terminarmos de comer um Big Mac.

1 comentários:
Prezado Leandro. Encontrei por acaso seus textos e estou acjando ótimos. Até a imagem que você usou da MATRIX é a mesma que também uso nas minhas aulas. Muita coincidencia porque pensamos do mesmo jeito, eu acho.
Acabei de escrever um paper demonstrando que a "lei" da oferta e procura é uma fraude e mais oresto que os economistas falam.
Quanto à mente que arquiteta tudo isto, procure por Protocolos dos Sabios de Sião. Há um site que lhe manda todo o livro em várias linguas inclusive portugues. Nele voce vai reconhecer a mente, e dela Henry Ford dizia que não se importa se é verdadeiro mas tudo que diz vinha aocntecendo...
Um abraço e continue na briga. Eu daqui vou espalhando seus textos e mais outros.
Graccho Maciel - Recife phd2@terra.com.br
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