Pelo Dicionário Aurélio: sindicato sm. Associação dos que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos, ou como profissionais liberais, exerçam, respectivamente, atividades ou profissões idênticas, similares ou conexas.
Sendo um mecanismo cujo objetivo é representar interesses de empregadores e/ou empregados de uma determinada atividade profissional, podemos concluir que para que haja um equilíbrio de forças entre empregadores e empregados, os sindicatos de ambos devem equilibrar a balança.
Numa sociedade onde a tecnologia ocupa cada vez mais espaço, e o número de postos de trabalho é cada vez menor em relação ao número de pessoas economicamente ativas, o emprego gradativamente deixa de ser o pagamento por um trabalho, para tornar-se um presente, dádiva ou privilégio para poucos. Uma vez que o emprego torna-se escasso e a concorrência pelos mesmos é cada vez maior, muda-se o paradigma e as forças desequilibram-se, aumentando o peso do prato da balança relativo aos empregadores. Estes, por sua vez, tendo o poder divino de empregar ou desempregar, numa sociedade onde os movimentos sociais perdem força a cada dia, podem ocupar o papel de Deus ou Diabo a depender de sua índole, motivações ou conjuntura do mercado.
Se a sociedade permite-se consumir produtos e/ou serviços de empresas que oferecem sub-empregos, esta passa a ser a lei de mercado: baixo custo. Como não é possível fazer-se milagre em relação ao custo de matéria-prima, e há um limite em relação à otimização dos processos internos, a próxima variável que permite uma diminuição do custo (leia-se aumento do lucro) é a mão-de-obra. Enxugar a folha de pagamento passa a ser uma alternativa válida à partir do momento em que a sociedade importa-se cada vez menos com os "problemas dos outros".
O sindicato de empregados passa a ser um mecanismo corporativo de defesa de interesses de uma determinada classe profissional, talvez o único numa sociedade cada vez mais centralizada nos seus "próprios problemas" e educada para o consumo. Categorias profissionais com pouco poder de pressão acabam sendo obrigadas a ceder às pressões dos empregadores que, por sua vez, obedecem à pressão do mercado (e/ou à sua própria consciência).
Os empregadores dispostos a jogar o jogo do mercado, seguindo suas regras ou apenas sua própria consciência, podem optar basicamente por duas estratégias opostas: 1) Incentivar, bonificar, prestigiar e agradar seus empregados, também conhecidos nesses casos como colaboradores ou; 2) Explorar ao máximo a força de trabalho de seus empregados, principalmente em mercados onde há facilidade de substituição de mão-de-obra.
Há ainda estratégias que podem misturar ambas, substituindo por exemplo um salário maior por incentivos psicológicos ou, em outras palavras, que mantém o empregado fiel à empresa pela ameça do desemprego somada aos incentivos por dedicação extra e outras abordagens que não implicam em aumento de custo financeiro.
Num mercado desregulamentado, os contratos de trabalho são (ou podem ser) individuais e extermina-se qualquer tipo de pressão coletiva, ou corporativa.
Num mercado regulamentado, onde está prevista a existência de entidades para representação de classe, como os sindicatos, a pressão coletiva pode ou não ter efeito.
Partindo-se do pressuposto de que, individualmente, um empregador tem mais poder do que um empregado mas que, por outro lado, um governo tem mais poder do que um empregador, podemos concluir que o fluxo de pressão de poder está no sentido:
governo --> empregador --> empregado.
Os sindicatos de empregadores têm como principal objetivo em comum pressionar o(s) governo(s) para que seus interesses corporativos sejam atendidos.
Os sindicatos de empregados, por sua vez, têm o objetivo de pressionar o(s) empregador(es) para que sejam atendidos os seus interesses corporativos.
No governo encontram-se representates de interesses tanto de empregadores quanto de empregados, eleitos democraticamente (ou "democraticamente") pelo voto popular. Se o povo é constituído em sua maioria por empregados e vivemos numa democracia (governo do povo), poderíamos concluir que no governo deveria haver muito mais representantes de empregados do que de empregadores, entretanto esta teoria perde o fundamento quando observamos que a sociedade está cada vez mais alienada e o poder econômico exerce mais influência do que o poder das idéias, e nessas democracias é mais fácil eleger-se com muito dinheiro do que com excelentes idéias.
Se na prática é o dinheiro que elege nossos (nossos?) governantes, podemos concluir que o(s) governo(s) constitui-se de mais representantes dos empregadores do que dos empregados. Tendo os empregadores mais poder no governo e os empregados não tendo força de mobilização suficiente para contestar este poder, evidentemente aprovar-se-ão mais leis favoráveis àqueles, ficando estes à mercê de sua capacidade de mobilização e de influenciar a opinião pública (leia-se meios-de-comunicação).
Os meios-de-comunicação, por sua vez, de forma mais clara e óbvia do que no nível governamental, também são movidos a dinheiro, seja através de anúncios, matérias "plantadas", favores, simpatias, contatos, amizades e outros mecanismos desconhecidos. Ora, se os empregados não têm poder em relação ao governo, muito menos em relação à opinião pública através dos meios-de-comunicação, os sindicatos passam a ser talvez o único mecanismo de poder existente para representar seus próprios interesses corporativos.
Neste cenário, os únicos interessados na existência de um sindicato de empregados forte e unido deveriam ser os próprios empregados, mas por quê isso não seria uma verdade na prática? Vejamos.
Os empregadores: podem coagir seus empregados a não participarem, ao menos ativamente, de organizações sindicais, podendo sofrer represálias ou a perda do sagrado emprego.
Os governantes: podem aprovar leis que compatibilizem o exercício da atividade sindical às "leis" do mercado internacional, com a justificativa popular de que desregulamentar (ou seja, acabar com as leis que regulamentam) as leis trabalhistas é uma tendência mundial, liberal, moderna e que criará mais postos de trabalho (não necessariamente melhores).
Os meios-de-comunicação: promovem a idéia de que os sindicatos existem para locupletar (enriquecer desonestamente) seus dirigentes, que só tem ladrão e que no final das contas, "o sindicato não faz nada pela categoria".
Os empregados: em sua maioria alienados, muitas vezes deixam a representação de seus interesses nas mãos de pessoas que não conhecem ou não confiam, abrindo espaço para que desonestos controlem as decisões e locupletem-se de fato; não participam dos movimentos coletivos, como assembléias, passeatas, greves e operações que demonstrem a insatisfação com alguma situação de trabalho ou financeira; exercitam a cidadania unicamente no voto, assim como fazem nas eleições governamentais; criam vários sindicatos paralelos, todos fracos, ao invés de fortalecer um único; criam associações de classe, que não têm o poder legal que tem um sindicato, e fortalecem as mesmas, enxergando nestas cada vez mais a defesa de seus próprios interesses, enfraquecendo os movimentos coletivos; não contribuem financeiramente para que campanhas de conscientização ou de negociação sejam feitas; escondem-se atrás da ignorância da existência, necessidade ou funcionamento do seu próprio sindicato, deixando os custos financeiros das campanhas e operação da máquina para uma pequena parte da categoria; beneficiam-se dos bônus, mas desobrigam-se dos ônus.
Percebe-se que há uma situação completamente favorável para o enfraquecimento dos sindicatos de empregados, numa sociedade (composta por muitos empregados) cada dia mais alienada e egocêntrica.
Os empregadores, por sua vez, fortalecem cada vez mais seus mecanismos de pressão, em sindicatos, federações e confederações de empresas. O empregador pode até não concordar individualmente com a direção de sua entidade, mas não deixa de participar destar organizações corporativas e dos movimentos coletivos, uma vez que mesmo sendo concorrentes nos negócios, os empregadores têm muitos interesses em comum, seja na instância superior (governo), seja na inferior (empregados).
Não é fácil prevermos o futuro da humanidade, mas partindo-se desta perspectiva, não é difícil prevermos o futuro das relações trabalhistas.
Sendo um mecanismo cujo objetivo é representar interesses de empregadores e/ou empregados de uma determinada atividade profissional, podemos concluir que para que haja um equilíbrio de forças entre empregadores e empregados, os sindicatos de ambos devem equilibrar a balança.
Numa sociedade onde a tecnologia ocupa cada vez mais espaço, e o número de postos de trabalho é cada vez menor em relação ao número de pessoas economicamente ativas, o emprego gradativamente deixa de ser o pagamento por um trabalho, para tornar-se um presente, dádiva ou privilégio para poucos. Uma vez que o emprego torna-se escasso e a concorrência pelos mesmos é cada vez maior, muda-se o paradigma e as forças desequilibram-se, aumentando o peso do prato da balança relativo aos empregadores. Estes, por sua vez, tendo o poder divino de empregar ou desempregar, numa sociedade onde os movimentos sociais perdem força a cada dia, podem ocupar o papel de Deus ou Diabo a depender de sua índole, motivações ou conjuntura do mercado.
Se a sociedade permite-se consumir produtos e/ou serviços de empresas que oferecem sub-empregos, esta passa a ser a lei de mercado: baixo custo. Como não é possível fazer-se milagre em relação ao custo de matéria-prima, e há um limite em relação à otimização dos processos internos, a próxima variável que permite uma diminuição do custo (leia-se aumento do lucro) é a mão-de-obra. Enxugar a folha de pagamento passa a ser uma alternativa válida à partir do momento em que a sociedade importa-se cada vez menos com os "problemas dos outros".
O sindicato de empregados passa a ser um mecanismo corporativo de defesa de interesses de uma determinada classe profissional, talvez o único numa sociedade cada vez mais centralizada nos seus "próprios problemas" e educada para o consumo. Categorias profissionais com pouco poder de pressão acabam sendo obrigadas a ceder às pressões dos empregadores que, por sua vez, obedecem à pressão do mercado (e/ou à sua própria consciência).
Os empregadores dispostos a jogar o jogo do mercado, seguindo suas regras ou apenas sua própria consciência, podem optar basicamente por duas estratégias opostas: 1) Incentivar, bonificar, prestigiar e agradar seus empregados, também conhecidos nesses casos como colaboradores ou; 2) Explorar ao máximo a força de trabalho de seus empregados, principalmente em mercados onde há facilidade de substituição de mão-de-obra.
Há ainda estratégias que podem misturar ambas, substituindo por exemplo um salário maior por incentivos psicológicos ou, em outras palavras, que mantém o empregado fiel à empresa pela ameça do desemprego somada aos incentivos por dedicação extra e outras abordagens que não implicam em aumento de custo financeiro.
Num mercado desregulamentado, os contratos de trabalho são (ou podem ser) individuais e extermina-se qualquer tipo de pressão coletiva, ou corporativa.
Num mercado regulamentado, onde está prevista a existência de entidades para representação de classe, como os sindicatos, a pressão coletiva pode ou não ter efeito.
Partindo-se do pressuposto de que, individualmente, um empregador tem mais poder do que um empregado mas que, por outro lado, um governo tem mais poder do que um empregador, podemos concluir que o fluxo de pressão de poder está no sentido:
governo --> empregador --> empregado.
Os sindicatos de empregadores têm como principal objetivo em comum pressionar o(s) governo(s) para que seus interesses corporativos sejam atendidos.
Os sindicatos de empregados, por sua vez, têm o objetivo de pressionar o(s) empregador(es) para que sejam atendidos os seus interesses corporativos.
No governo encontram-se representates de interesses tanto de empregadores quanto de empregados, eleitos democraticamente (ou "democraticamente") pelo voto popular. Se o povo é constituído em sua maioria por empregados e vivemos numa democracia (governo do povo), poderíamos concluir que no governo deveria haver muito mais representantes de empregados do que de empregadores, entretanto esta teoria perde o fundamento quando observamos que a sociedade está cada vez mais alienada e o poder econômico exerce mais influência do que o poder das idéias, e nessas democracias é mais fácil eleger-se com muito dinheiro do que com excelentes idéias.
Se na prática é o dinheiro que elege nossos (nossos?) governantes, podemos concluir que o(s) governo(s) constitui-se de mais representantes dos empregadores do que dos empregados. Tendo os empregadores mais poder no governo e os empregados não tendo força de mobilização suficiente para contestar este poder, evidentemente aprovar-se-ão mais leis favoráveis àqueles, ficando estes à mercê de sua capacidade de mobilização e de influenciar a opinião pública (leia-se meios-de-comunicação).
Os meios-de-comunicação, por sua vez, de forma mais clara e óbvia do que no nível governamental, também são movidos a dinheiro, seja através de anúncios, matérias "plantadas", favores, simpatias, contatos, amizades e outros mecanismos desconhecidos. Ora, se os empregados não têm poder em relação ao governo, muito menos em relação à opinião pública através dos meios-de-comunicação, os sindicatos passam a ser talvez o único mecanismo de poder existente para representar seus próprios interesses corporativos.
Neste cenário, os únicos interessados na existência de um sindicato de empregados forte e unido deveriam ser os próprios empregados, mas por quê isso não seria uma verdade na prática? Vejamos.
Os empregadores: podem coagir seus empregados a não participarem, ao menos ativamente, de organizações sindicais, podendo sofrer represálias ou a perda do sagrado emprego.
Os governantes: podem aprovar leis que compatibilizem o exercício da atividade sindical às "leis" do mercado internacional, com a justificativa popular de que desregulamentar (ou seja, acabar com as leis que regulamentam) as leis trabalhistas é uma tendência mundial, liberal, moderna e que criará mais postos de trabalho (não necessariamente melhores).
Os meios-de-comunicação: promovem a idéia de que os sindicatos existem para locupletar (enriquecer desonestamente) seus dirigentes, que só tem ladrão e que no final das contas, "o sindicato não faz nada pela categoria".
Os empregados: em sua maioria alienados, muitas vezes deixam a representação de seus interesses nas mãos de pessoas que não conhecem ou não confiam, abrindo espaço para que desonestos controlem as decisões e locupletem-se de fato; não participam dos movimentos coletivos, como assembléias, passeatas, greves e operações que demonstrem a insatisfação com alguma situação de trabalho ou financeira; exercitam a cidadania unicamente no voto, assim como fazem nas eleições governamentais; criam vários sindicatos paralelos, todos fracos, ao invés de fortalecer um único; criam associações de classe, que não têm o poder legal que tem um sindicato, e fortalecem as mesmas, enxergando nestas cada vez mais a defesa de seus próprios interesses, enfraquecendo os movimentos coletivos; não contribuem financeiramente para que campanhas de conscientização ou de negociação sejam feitas; escondem-se atrás da ignorância da existência, necessidade ou funcionamento do seu próprio sindicato, deixando os custos financeiros das campanhas e operação da máquina para uma pequena parte da categoria; beneficiam-se dos bônus, mas desobrigam-se dos ônus.
Percebe-se que há uma situação completamente favorável para o enfraquecimento dos sindicatos de empregados, numa sociedade (composta por muitos empregados) cada dia mais alienada e egocêntrica.
Os empregadores, por sua vez, fortalecem cada vez mais seus mecanismos de pressão, em sindicatos, federações e confederações de empresas. O empregador pode até não concordar individualmente com a direção de sua entidade, mas não deixa de participar destar organizações corporativas e dos movimentos coletivos, uma vez que mesmo sendo concorrentes nos negócios, os empregadores têm muitos interesses em comum, seja na instância superior (governo), seja na inferior (empregados).
Não é fácil prevermos o futuro da humanidade, mas partindo-se desta perspectiva, não é difícil prevermos o futuro das relações trabalhistas.

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